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quarta-feira, 5 de junho de 2013


O meu sabor da leitura

Olá, pessoal! Meu nome é Letícia, tenho 35 anos, sou casada e mãe de três filhos. Estudei Letras (Português/Espanhol) na Univap/SJC e estou na rede estadual de ensino de São Paulo há 12 anos. Adoro ler, conversar, viajar e curtir a família... A leitura e seus sabores sempre estiveram presentes em minha vida. Na infância os contos de fadas e os gibis eram os meus preferidos. Lembro-me quando fui presenteada por meus pais com uma assinatura dos gibis da e Turma da Mônica e esperava ansiosa a chegada nos almanaques no meio da semana. Mônica e Chico Bento eram (e ainda são) os meus preferidos. Outra recordação que tenho é de um livro que ganhei assim que fui alfabetizada:Letícia, que acordava o Sol, de Anna Tousouzova. Guardei o exemplar por anos, mas em uma de minhas mudanças ele resolveu se esconder em alguma caixa... Até que resolva aparecer, está guardado na memória... Na adolescência devorava as revistas e publicações próprias para a idade e hoje mantenho um carinho enorme pela leitura... Não há uma preferência, leio de tudo, de bula de remédios a best sellers... Desejo que este blog seja um espaço de degustação de diferentes sabores de leitura... Sejam bem-vindos!



Um pouquinho de um ótimo, sutil e belo escritor: Mario Quintana

Mario de Miranda Quintana (Alegrete, 30 de julho de 1906 — Porto Alegre, 5 de maio de 1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro.
Mario Quintana fez as primeiras letras em sua cidade natal, mudando-se em 1919 para Porto Alegre, onde estudou no Colégio Militar, publicando ali suas primeiras produções literárias. Trabalhou para a Editora Globo e depois na farmácia paterna. Considerado o "poeta das coisas simples", com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica, ele trabalhou como jornalista quase toda a sua vida. Traduziu mais de cento e trinta obras da literatura universal, entre elas Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust, Mrs Dalloway de Virginia Woolf, e Palavras e Sangue, de Giovanni Papini.
Em 1953, Quintana trabalhou no jornal Correio do Povo, como colunista da página de cultura, que saía aos sábados, e em 1977 saiu do jornal. Em 1940, ele lançou o seu primeiro livro de poesias, A Rua dos Cataventos, iniciando a sua carreira de poeta, escritor e autor infantil. Em 1966, foi publicada a sua Antologia Poética, com sessenta poemas, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, e lançada para comemorar seus sessenta anos de idade, sendo por esta razão o poeta saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira, que recita o poema Quintanares, de sua autoria, em homenagem ao colega gaúcho. No mesmo ano ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de Escritores de melhor livro do ano. Em 1976, ao completar setenta anos, recebeu a medalha Negrinho do Pastoreio do governo do estado do Rio Grande do Sul. Em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.



Deficiências

DEFICIÊNCIAS 

"Deficiente" 
é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino. 
"Louco"
 é quem não procura ser feliz com o que possui. 
"Cego" 
é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores. 
"Surdo"
 é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês. 
"Mudo"
 é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia. 
"Paralítico" 
é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda. 
"Diabético"
 é quem não consegue ser doce. 
"Anão"
 é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois: 

"Miseráveis"
 são todos que não conseguem falar com Deus. 

Amar !

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»


Virginia Woolf


Poesia às avessas


"O pior de tudo é que ela não tinha qualquer aptidão para a literatura. Detestava frases. Tinha, até, alguma natural antipatia por aquele processo de auto-exame, por aquele perpétuo esforço de entender os próprios sentimentos e expressá-los em palavras, de maneira bela, apropriada, vigorosa, coisa que constituía tão grande porção da existência de sua mãe. Ela, ao contrário, inclinava-se a calar; esquivava-se a expressar-se mesmo falando, quanto mais escrevendo. Como tal disposição era das mais convenientes numa família dada à manufatura de frases, e parecia indicar uma correspondente capacidade para a ação, ela fora, desde a infância, encarregada dos negócios da casa. Tinha a reputação, que nada em suas maneiras contradizia, de ser a mais prática das criaturas. Decidir os cardápios, dirigir os empregados, pagar as contas, conseguir que todos os relógios batessem à mesma hora e que as jarras estivessem sempre cheias de flores frescas eram tidos como predicados naturais dela. Mrs. Hilbery costuma dizer que isso também era poesia, só que às avessas."
 Virginia Woolf - Noite e Dia p.36 

Leitura da palavra... leitura do mundo


• PAULO FREIRE.
   Em nossos muitos encontros, confrontamos nossas experiências no tocante à alfabetização. As lições que você tirou de suas pesquisas em inocência coincidem frequentemente com minha visão de pedagogo e lançam uma luz original sobre o que chamei de "leitura do mundo". Sempre repeti que é impossível conceber a alfabetização como leitura da palavra sem admitir que ela é necessariamente precedida de uma leitura do mundo. A aprendizagem da leitura e da escrita equivale a uma "releitura" do mundo. É preciso não esquecer essa evidência: as crianças pequenas, bem antes de desenharem e traçarem letras, aprendem a falar, a manipular a linguagem oral. Por intermédio da família, leem a realidade do mundo antes de poderem escrever. Em seguida, apenas escrevem o que já aprenderam a dizer.
   Qualquer processo de alfabetização deve integrar essa realidade histórica e social, utilizá-la metodicamente para incitar os alunos a exercerem, tão sistematicamente quanto possível, sua oralidade, que está infalivelmente ligada ao que chamo de "leitura do mundo". Essa primeira leitura do mundo leva a criança a exprimir, mediante signos e sons, o que ela aprendeu do universo que a cerca.
   A alfabetização exige que se tome essa realidade como ponto de partida. Deve, inclusive, articular- seco mela. Não se deve afastar dessa fonte por preço algum. Pelo contrário, precisa incessantemente voltar a ela, para permitir, graças ao acréscimo de meios de conhecimento proporcionados pela leitura e a escrita, um deciframento mais profundo, uma "releitura" do mundo tal como foi descoberto pela primeira vez. Dependendo da cultura considerada, essa aprendizagem estrutura-se em torno de dois polos de conhecimento: de um lado, o saber "espontâneo"; de outro, o saber "rigoroso", ou científico. Existe, aliás, em cada um de nós, um conflito entre os dois.
   A exigência do rigor jamais é límpida, jamais está livre da ideologia: restam sempre traços de ideologia, mesmo no rigor com que denunciamos nossa própria ideologia...

• MARCIO D'OLNE CAMPOS.
   Há muito me interesso pelas relações entre os diferentes tipos de conhecimento: popular, tribal e científico. A propósito do que você chama de "releitura do mundo", o exemplo dos povos indígenas obrigou-me a rever radicalmente minha concepção do papel do educador.
   A inexistência de escrita não impediu que esses grupos humanos - para consignarem sua leitura do mundo, para exprimirem seu contato íntimo com seu meio e com o universo - criassem outros instrumentos de transcrição e transmissão do saber, como os adornos, os ritos, os mitos e uma prática intensa da oralidade. O estreito intercâmbio com o meio ambiente suscita uma primeira leitura, original, que precede -e aliás, permite - a criação de signos e símbolos. A "releitura do mundo" associa-se portanto a um conjunto significante, anterior ao simbolismo do próprio alfabeto. Esse é um ponto capital aplicável a quase todos os casos. Em nossa sociedade brasileira, por exemplo, com frequência se impõem às crianças, pela intimidação, signos arbitrários, não relacionados com sua experiência ou com a representação simbólica que dela fazem. O educador nem sempre está consciente de que existem outros símbolos além daqueles que deseja ensinar. Esse distanciamento é ainda mais marcante quando se trata de alunos provenientes de sociedades indígenas, cujos símbolos originais referem-se a mitos e ritos. Nessa presença no mundo, que é própria de cada um, vejo o ponto de partida obrigatório do processo educativo, a razão de ser da alfabetização. Não se pode pedir a uma criança que, enquanto aprende a ler e a escrever, permaneça isolada como numa redoma de vidro e somente depois comece a ler o mundo!
 

A importância da leitura na vida das pessoas.


terça-feira, 4 de junho de 2013

Como tudo começou...

Aos cinco anos de idade, ouvia as histórias que meu pai contava toda a noite para mim. Eram livros gigantes e lindos. Meu sonho era aprender a ler logo para poder lê-los por mim mesma. Quando aprendi a ler, antes da primeira série, lia vários livrinhos para crianças e revistinhas em quadrinhos. Ainda era difícil ler aqueles livros que meu pai conseguia ler... Como disse Rubem Alves: " A experiência literária é um ritual antropofágico. É magia." Aos dez anos anos já lia vários gêneros,mas os que eu mais gostava eram de suspense e mistério. A ilha perdida, O mistério dos cinco estrelas, O escaravelho do diabo...faziam parte da coleção Vagalume. Lembro que aos doze anos, já gostava de ler Carlos Heitor Cony e Agatha Christie. E assim, como citou Danuza Leão: " Foi através do convívio com pessoas excepcionais que aprendi as coisas..." Quantos autores, quantos amigos... Newton Mesquita traduziu a experiência literária:" Aquilo toca na sua essência e detona tantas ideias e fantasias que se torna parte de sua vida", e foi  quando li pela primeira vez "O Homem e seus símbolos- Carl Gustav Jung", aos vinte e dois anos. E os livros sempre foram meus companheiros também!